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Maria, Co-Redentora da Humanidade


O título Co-Redentora dado a Maria reflete toda a participação intensa que Maria Santíssima teve no mistério da Salvação. Certamente, o sofrimento de Maria aos pés da cruz junto com Seu Filho é um dos motivos desse título. Num belo sermão, São Bernardo, Doutor da Igreja, fala do sofrimento da Mãe:


Verdadeiramente, ó Santa Mãe, uma espada trespassou a Tua alma. Aliás, somente traspassando-a, penetraria na carne do Filho. De fato, visto que o Teu Jesus – de todos certamente, mas especialmente Teu – a lança cruel, abrindo-lhe o lado sem poupar um morto, não atingiu a alma d’Ele, mas trespassou a Tua alma. A alma dele já ali não estava, a Tua, porém, não podia ser arrancada dali. Por isto a violência da dor penetrou na Tua alma e nós Te proclamamos, com justiça, mais do que mártir, porque a compaixão ultrapassou a dor da paixão corporal”.

A Co-Redenção de Maria é aquele privilégio pelo qual a Imaculada sempre Virgem Mãe de Deus cooperou livremente com e sob Jesus Cristo, Seu Filho e Redentor, na Redenção histórica da família humana, desde o Seu Fiat na Anunciação até o sacrifício do Seu coração materno no Calvário; e assim Maria se tornou para nós a Medianeira de todas as graças da Redenção e Advogada do Povo de Deus.


Maria – lugar de encontro com a Santíssima Trindade


1. MARIA NOS ENSINA A NOS RELACIONAR COM A SANTÍSSIMA TRINDADE

A referência Trinitária é extremamente urgente para a Mariologia e o culto marial, a fim de que encontrem o seu justo lugar e a sua verdadeira finalidade. Se Maria é Aquela a Quem, pela primeira vez foi revelado, embora somente em termos alusivos (O Anjo lhe revelou na Anunciação), o mistério trinitário do Altíssimo que, por mediação do Espírito Santo, daria origem a Cristo (Lc 1,28-33), ela pode ser para todo cristão um lugar de encontro com as três pessoas divinas e de revelação da Sua obra Salvífica.
Na companhia de Maria, a vida cristã é um itinerário para a Santíssima Trindade: a vida dos santos é um excelente testemunho disto. (Ver, por exemplo, Sta. Teresinha, Elisabete da Trindade, etc)

2. MARIA: DESCOBRIR O PAI

Na revelação contida no Novo Testamento, a figura de Deus-Pai conserva evidentemente o caráter de princípio absoluto e fim último de toda criatura: O Plano de Salvação da criatura humana vem dEle e é para Ele que tende toda a obra de Cristo no Espírito.
1 Cor 8,6
1 Cor 15, 28
Ef 1, 3-14
Col 1, 19-20
Maria está portanto inserida nesta trajetória de amor que parte do Pai e a Ele torna, englobando a Igreja, Corpo Místico de Cristo. Dentro deste entendimento, podemos descrever o relacionamento de Maria com o Pai em cinco pontos:
Maria não é um ser absoluto ou autônomo, mas uma criatura em tudo dependente do Seu Criador, e deve a Sua presença no Mistério Cristão a uma escolha livre e gratuita de Deus. Assim, todo episódio de sua vida foi provocado pelo Pai das Misericórdias, a quem, em sua grande bondade aprouve fazê-la refletir em si Suas Maravilhas. Até mesmo a maternidade de Maria, seja relativamente a Cristo (Mãe de Cristo), seja relativamente aos homens (Mãe da Igreja), deve ser encarada como uma participação e uma derivação da paternidade transcendente de Deus, descrita em Ef 3,15.
Na história da Salvação, Maria cumpre uma função de serviço responsável em relação à realização da vontade salvífica de Deus. Por isto, suas prerrogativas não são privilégios particulares, mas têm uma dimensão social de salvação para todos os homens. A Virgem Maria não é chamada por si mesma, mas em função do gênero humano. Ela é investida por Deus de um Ministério para a Salvação dos homens, como bem pudemos ver quando estudamos o significado profundo da expressão: “O Senhor está contigo” (Lc 1,28)
[…] Maria é a representante fiel do “Resto de Israel”, “povo escolhido”, por isto encarnando tão bem o título de “Filha de Sião”. Assim, podemos dizer que Maria ocupa o primeiro lugar entre os que confiadamente esperam e recebem de Deus a Salvação. E por isto é a primeira criatura que descobre as verdadeiras qualidades de Deus: santo, poderoso, auxílio dos pobres, Pai, benevolente, misericordioso, fiel, justo, etc.
O verdadeiro culto à Maria conduz ao crescimento cada vez maior à adoração e ao amor de Deus como PAI. Se observarmos o texto de Gál 4,4, veremos que menciona Maria nos orientando para a missão primeira de Cristo”: oferecer aos homens a adoção filial pelo Pai. Viver como filho de Maria deve ser para nós a consequência e a premissa de uma vida intensa de “filhos de Deus” com todas as suas consequências: a devoção à Maria deve nos arrancar de todo escrúpulo e temor servil a Deus (servi-lo por medo de castigo) e nos inspirar um amor terno e filial ao Pai, a ponto de vivermos a verdadeira liberdade de filhos de Deus à qual fomos chamados. Maria nos leva a olhar Deus como Pai que é!

3. MARIA: VIVER EM CRISTO
Cristo é o centro do plano salvífico do Pai, o único Salvador, mestre, revelador e mediador, o arquétipo moral e o caminho dos cristãos. Mas Ele quis incorporar à Sua pessoa e associar à Sua obra todos os Seus discípulos, e de uma maneira “especial e excepcional”, A SUA MÃE. Assim, desde a Sua infância, formou com esta uma unidade indissolúvel. Antes de gerá-lo em seu ventre, ela já o gera na fé, tornando-se sua discípula, e, ao longo de seu convívio, Jesus é para Maria o seu único formador: em Seus gestos e Palavras, ela descobre a vontade do Pai, o projeto do Reino. Ela foi a primeira testemunha de Jesus, e é a mais preparada para nos descobrir Sua identidade. Antes de tudo, seu relacionamento com Jesus foi uma vivência religiosa, e o acolhimento da revelação do Pai. Por isto, acolhia com ardor esta revelação e seguia constantemente Jesus, ainda que, às vezes, não o fizesse materialmente, mas espiritualmente. Mas foi um seguimento ativo, que transbordou em todas as suas atitudes. Assim, em profunda sintonia com o Filho, Maria é aquela que convida os outros a ouvirem a Palavra de seu Filho e cumprirem-na. Sua vida sempre esteve oculta com Cristo em Deus e assim permanece até hoje. Por tudo isto podemos dizer que Maria é entre todas as criaturas, a mais capacitada a nos levar a viver EM CRISTO.

Como Maria nos leva a viver “em Cristo”:
Maria apresenta-se como elemento e implicação do Mistério de Cristo, já que o seu papel, sua missão no mundo consiste em ser “A Mãe do Redentor”, a Sua mais generosa cooperadora e mais humilde serva, e por este mesmo Cristo, constituída na ordem da graça como “Nossa Mãe”. Sua missão, portanto, a coloca numa estreita e indispensável relação com Cristo e Sua obra, a ponto de não podermos, de forma alguma fazer dela um ser “autônomo” ou “paralelo” a Cristo. Disto decorre que:
a. A Maternidade de Maria não é uma mera função biológica, mas primeiramente uma adesão de fé que a faz primeira cristã, primeira discípula de Cristo e lhe confere o “ministério glorioso” de “dar” ao mundo o Cristo.
b. A cooperação singular (porque não foi pedida igual a nenhuma outra pessoa) da Virgem Maria na obra da redenção não a coloca no mesmo plano do Único Mediador, pois ela é uma criatura resgatada pelo Seu Filho.
c. Sua maternidade espiritual sobre nós emana da sobreabundância dos méritos de Cristo, funda-se na mediação de Cristo e dela depende inteiramente, haurindo daí toda a sua eficácia. Portanto, Maria de nenhum modo impede a união imediata dos fiéis a Cristo, antes a favorece cada vez mais.
Trata-se por conseguinte de compreendermos Maria na Sua Missão íntima e constante com Cristo na obra da Salvação, mas respeitando a transcendência do próprio Cristo, que é Deus feito homem. Na Virgem Maria, portanto, tudo se relaciona Com cristo, e tudo depende dEle.
O culto a Maria deve estar organicamente inserido no “centro” do culto único, ou seja, do culto cristão, pois é, em Cristo, que tem a sua origem e eficácia, e é, em Cristo, que encontra a sua expressão plena, e é, por Cristo, que, no Espírito, conduz ao Pai. Isto deve ser vivido principalmente na Liturgia, nas festas Marianas, aonde Maria nos deve servir de modelo da atitude espiritual com a qual devemos celebrar e viver os Divinos Mistérios, de modo que:
a. O verdadeiro culto a Maria não deverá ser separado do culto aos Mistérios de Cristo, fundamental na vida do cristão. A devoção a Maria não constitui uma “segunda via espiritual”, mas uma maneira nova de viver EM DEUS, porque o reinado de Maria não é contrário ao reinado de Cristo, mas está inteiramente ordenado a Ele. Tanto que, por exemplo, a Consagração à Maria constitui uma perfeita renovação dos votos e das promessas do Santo Batismo.
b. Maria torna-se, para o cristão, um convite vivo a optar, como Ela, por Cristo, a integrar-se no Seu “sim” e a renovar a aliança de amor obediente a Ele.

4. MARIA: CAMINHAR NO ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo é apresentado no Novo Testamento como a Pessoa divina que habita no cristão para renovar seu coração e torná-lo capaz de agir como filho de Deus na liberdade e no amor.
Rom 5,5
Rom 8,12
1 Cor 12,13
Vejamos a relação de Maria, a primeira cristã e nosso modelo com o Espírito Santo, em seus dois pontos principais:
A leitura dos episódios marianos do Novo Testamento nos leva a ver na Anunciação o Pentecostes antecipado de Maria, pois:
Encontramos as mesmas expressões na cena de Lc 1,35 (“O Espírito Santo descerá sobre ti e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra”) e na de Atos 1,8 (“Mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo”).
Além disto, ambas as cenas, Anunciação e Pentecostes, são seguidas de uma irradiação missionária e de comunicações carismáticas: A visitação (Lc 1,39-45) e todas as manifestações carismáticas que sucederam na vida dos Apóstolos após Pentecostes.
Além disto, vemos realizar-se nela obras claramente vindas do poder do Espírito Santo como a concepção virginal de Cristo e o seu estado glorioso quando elevada ao céu, pelos méritos de Jesus, mas pelo poder do Espírito Santo.
Maria não é, ao contrário do que alguns pensam, uma “concorrente” do Espírito Santo ou uma “substituta” deste. Ela, que no cenáculo orou com os Apóstolos à espera do mesmo Espírito (Atos 1,14), foi, durante toda a sua vida e até na Sua gloriosa Assunção, objeto das operações do Espírito Santo, e é um caminho para Sua compreensão e das Suas operações.
A ação de Maria para o bem da Igreja não substitui nem rivaliza a ação do Espírito Santo, mas a implora e prepara:
– Pela oração de intercessão, possível pela Comunhão dos Santos e em harmonia com o plano de Deus que é contemplado por ela na visão beatífica. A intercessão de Maria não pode ser entendida senão no contexto mais vasto da intercessão do Espírito Santo. Assim, Maria não substitui o Espírito Santo, mas seus títulos são uma participação na obra que Este realiza na Igreja.
– Pela influência direta do seu exemplo, principalmente no que tange à Sua docilidade às inspirações do Espírito Santo. O culto à Maria é uma passagem, uma porta para o conhecimento do Espírito e à docilidade a Seus apelos, uma via para chegar à profundidade do Mistério trinitário, uma modalidade de vida no Espírito, modalidade essencial, fundamental a todo cristão. Maria, é ao mesmo tempo a criatura penetrada pelo Espírito Santo e por Ele feita Mãe virginal de Jesus, primeira cristã, Mãe e modelo dos fiéis e da Igreja espiritual chamada a realizar o reinado de Deus neste mundo.

5. COMO IMITAR MARIA NA CORRESPONDÊNCIA À GRAÇA

A Graça Santificante é uma qualidade sobrenatural infundida por Deus na essência da alma humana do homem justificado pelo Batismo. Ela modifica a alma humana lhe dando uma perfeição nova. Por ela, nós passamos a participar da Vida de Deus e podemos viver uma vida semelhante à Sua. Nossa Senhora foi ornada da Graça Santificante desde o primeiro instante de sua existência.
Mas esta Graça divina que eleva, diviniza e torna-nos semelhantes a Deus, nunca vem sozinha à uma alma. Ela se faz acompanhar por virtudes, dons e frutos do Espírito Santo, infundidos não na essência da alma, mas nas suas faculdades (inteligência, vontade, memória, imaginação, afetividade).

AS VIRTUDES TEOLOGAIS EM MARIA
Por virtudes entendemos aqueles hábitos bons que tornam as faculdades da alma capazes de executar com prontidão e deleite tudo o que, na ordem natural e pedido pela reta razão, e tudo a que, na ordem sobrenatural, somos convidados por Deus a realizar.
Elas se classificam em Teologais e Morais. Porém, como as virtudes morais são numerosíssimas, podemos reduzi-las às quatro virtudes chamadas Cardeais, que sustentam todas as outras virtudes morais. Nossa Senhora teve todas as virtudes e em grau excepcional, mas vamos refletir aqui o que a doutrina diz sobre o modo como Maria viveu as virtudes teologais e as virtudes Cardeais:
MARIA E AS VIRTUDES TEOLOGAIS:
a) A Fé em Maria – Sua fé foi submetida:
– A prova do invisível: Viu Jesus no estábulo de Belém e acreditou que era o Filho de Deus;
– A prova do incompreensível: Viu-O nascer no tempo e acreditou que Ele é eterno;
– A prova das aparências contrárias: Viu-O finalmente maltratado e crucificado e creu que Ele realmente tinha todo poder.
Plenamente livre, Maria praticou sempre a virtude da Fé, por ser perfeitamente submissa à Deus e não nutrir nenhum tipo de pretensão orgulhosa contra o direito soberano que Deus tem de nos revelar a verdade quando e como julgar necessário. Maria reconhecia, acima de si, Deus, como único incapaz de se enganar ou nos enganar.
b) A Esperança em Maria: Da fé, brota a Esperança de que para Deus, que é fiel, jamais é impossível levar todo acontecimento a um bom fim. A esperança não é uma inércia, mas uma certeza operosa que nos faz “agir como se tudo dependesse de nós, mas esperar os resultados sabendo que estes depende d’Ele”. Foi na esperança que Maria:
– Guardou segredo até de José, quanto à filiação divina de Jesus, sabendo que o próprio Deus é quem o explicaria;
– Empreendeu generosamente a longa e fatigante viagem de Nazaré a Belém, e refugiou-se num estábulo para dar à luz o seu divino Filho. Desprovida de meios humanos, praticou concretamente a esperança na ajuda divina, que não tardou a chegar. Ela estava obedecendo a Deus, e sabia que podia esperar Seu auxílio;
– Assim foi na fuga para o Egito, nas Bodas de Caná, quando mandou encher as talhas, etc.
c) A Caridade em Maria:
A caridade resume todas as virtudes. Maria amou em intensidade, duração e qualidade perfeitas. O amor por Deus e pela humanidade traspassou de tal modo sua alma, que não ficou parte alguma em seu ser que não tivesse se doado inteiramente à causa divina. Todos os homens são chamados a crescer na caridade até à perfeição e inteira doação de si mesmo conforme o plano de Deus para sua vida.

AS VIRTUDES CARDEAIS EM MARIA
a) A prudência – Esta virtude inclina nossa inteligência a escolher, em cada ocasião, os meios mais aptos para se alcançar o fim necessário, subordinando-os sempre ao nosso fim último que é Deus. Maria é chamada a Virgem Prudentíssima, porque realmente preencheu todas as condições necessárias para se praticar a virtude da prudência, que recebeu de Deus:
– Examinar com ponderação, o que não significa duvidar do interlocutor;
– Resolver com bom-senso, sem jamais perder de vista o fim último de todas as nossas ações, que deve ser a realização da vontade de Deus;
– Executar com exatidão, empregando os meios realmente aptos, e sobretudo perseverando na fidelidade até o fim.
O maior exemplo disto é a Anunciação. Em Lc 1, vemos o modo como Maria examinou com ponderação, resolveu com bom-senso (lembrar que nem sempre aquilo que nosso respeito humano, timidez ou covardia chama de bom senso o é verdadeiramente), e executou com exatidão.
b) A Virtude da justiça em Maria: Segundo o próprio Jesus, a justiça consiste em dar Deus o que é de Deus. E o próprio S. Paulo esclarece a doutrina com as Palavras: “Que temos nós que não tenhamos recebido de Deus. Assim a virtude da justiça foi vivida por Maria na sua entrega total e absoluta a Deus, e aos homens por amor a Deus.
c) A Fortaleza de Maria – A Fortaleza cristã nasce, cresce e vive no meio dos maiores perigos, no meio das maiores dores. Dois são seus atos principais: o empreender e o suportar coisas árduas, difíceis. Sto. Tomás de Aquino ensina que suportar coisas árduas é muito mais difícil do que empreendê-las. O segundo ato de fortaleza é portanto muito mais difícil do que o primeiro. Maria empreendeu, e abraçou uma vida cheia de enormes sofrimentos, e os suportou, não só com paciência, mas com alegria sobrenatural.
d) Maria e a prática da Temperança – Esta virtude nos faz sóbrios e castos aos olhos de Deus e também aos olhos do mundo. Porém, estreitamente relacionado com a prática da temperança está o fato de reconhecermos quem realmente somos, reconhecer quem é Deus, que realmente temos limites e dependemos inteiramente de Deus, para nos portarmos de acordo com este conhecimento e com nossas limitações. Isto é que nos faz realmente assumir a imagem e semelhança de Deus que apesar de não depender de limite algum, impõe a si mesmo os limites necessários para exercer o amor sem medida. Se eu amo sem medida, eu limito meus direitos para que o outro possa viver feliz e ter o que necessita.
[…]
OS DONS DO ESPÍRITO SANTO EM MARIA

Os dons do Espírito Santo dispõem o homem para ser movido mais facilmente pelo Espírito Santo, embora devamos sempre lembrar que eles dispõem, mas não obrigam, isto porque eles são hábitos sobrenaturais que dão às faculdades da alma tal docilidade, que estas se tornam aptas a obedecer cada vez mais prontamente às inspirações da Graça.
A diferença entre as virtudes e os dons é justamente o fato de que as primeiras requerem mais esforço, enquanto que os dons requerem mais docilidade, embora não dispensem a nossa atividade, que continua livre.
A perfeita adesão de Nossa Senhora aos dons do Espírito Santo se deu assim:
a) Dom do Conselho, que nos leva a julgar prontamente e com segurança as diversas situações que encontramos, aperfeiçoando assim a virtude da Prudência. Maria aderiu perfeitamente a este precioso dom, porque esteve sempre voltada para ouvir a Deus em primeiro lugar. Duas situações claras do uso deste dom: Sua escolha pela perpétua virgindade, e seu sim na Anunciação.
b) Dom da Piedade, que produz no coração o afeto filial para com Deus e uma terna devoção às Pessoas e às coisas divinas, e aperfeiçoa a virtude da Religião. Toda a vida de Maria e suas atitudes foram de filial afeto para com Deus e suas coisas.
c) Dom da Fortaleza – Dá à vontade um impulso e uma energia que a tornam capazes de operar e sofrer alegremente e corajosamente em todas as ocasiões necessárias, superando qualquer obstáculo à realização da vontade divina.
d) Dom do Temor – Faz-nos temer desagradar a Deus e sermos separados dEle, apartando-nos dos falsos deleites que nos poderiam levar a perdermos Deus. O Temor em Maria, apesar da assistência especial do Espírito Santo que a fazia cheia de Graça, era ainda mais puro, porque mesmo sem precisar temer perdê-lo, ela queria estar mais unida ainda a Deus e agradá-lo em tudo.
e) Dom de Ciência – Faz julgar santamente as coisas criadas em suas relações com Deus. Vemos sob o ponto de vista divino. Faz distinguir o que é vil do que é precioso. Aperfeiçoa a fé. O canto do magnificat e toda as escolhas de Maria mostram que ela compreendeu, de modo sobrenatural, a verdadeira medida de Deus e das coisas criadas.
f) Dom do entendimento – Faz penetrar no significado interior das verdades reveladas. Maria compreendeu a grandeza do desígnio divino de sua maternidade, em relação à Salvação do mundo inteiro.
g) Dom da SabedoriaAssim como a Caridade resume todas as virtudes, a Sabedoria resume todos os dons, e ainda aperfeiçoa a Caridade. Maria recebeu e foi inteiramente dócil ao Dom da sabedoria em todos os momentos de sua vida.
Estes três últimos dons dão um conhecimento experimental ou quase experimental de Deus, porque nos fazem conhecer as coisas divinas não por via de raciocínio, mas por meio de uma luz superior, atingindo-as como se delas tivéssemos experimentado fisicamente, de fato.

Cultivemos os dons do Espírito Santo:
a. Pela prática das virtudes
b. Combatendo o espírito do mundo, oposto ao Espírito de Deus
c. Pela vida Sacramental e morada na Palavra
d. Pela oração contínua e perseverante

OS FRUTOS DO ESPÍRITO SANTO EM MARIA

Quando alguém se exercitou longamente na prática das virtudes, e na docilidade ao Espírito Santo, adquire grande facilidade e sobretudo grande deleite em executá-los. A isto chamamos frutos do Espírito Santo. Eles são assim atos executados com aquele “perfume” espiritual que “contagia” os outros e os leva a Deus. São Paulo os numera em Gál 5,22: Caridade, alegria (cristã, verdadeira), paz, longanimidade (busca empreender grandes coisas somente para a glória de Deus e salvação do próximo), benignidade (busca o outro para servi-lo), bondade, fidelidade, mansidão e autodomínio.
[…] Eles são manifestação clara e visível de uma cada vez mais perfeita adesão ao Hóspede divino e santificador de nossas almas.

CONCLUSÃO: A DEVOÇÃO MARIANA

“TODAS AS GERAÇÕES ME CHAMARÃO BEM-AVENTURADA ” (Lc 1,48). Sob a inspiração do Espírito Santo, Maria profetizou as honras que lhe seriam tributadas. O anjo já lhe havia esclarecido sobre esta honra imputada pelo próprio Deus ao saudá-la, através de seu Mensageiro Celeste com as Palavras: “Ave, Cheia de Graça “
Mais adiante, o mesmo Espírito inspirou Isabel a honrá-la:” DONDE ME VEM A HONRA DE VIR A MIM A MÃE DO SALVADOR? “. E as confirmações continuaram:” BEM-AVENTURADO O SEIO QUE TE TROUXE ” (Lc 1,27)
Desde que Jesus foi concebido em seu seio, Maria começou a ser realmente proclamada Bem-Aventurada. E as expressões de culto vão desde palavras, até orações, festas e atos de imitação de suas virtudes. Todas as épocas estão assim cheias de louvores à Mãe do Salvador, que se seguirão pela eternidade com o coro dos eleitos no Céu.
O culto Mariano não é um culto de ADORAÇÃO, pois este só prestamos a Deus. Porém, não é também como o culto de DULIA, prestado aos Santos, pois difere deste em grau, devido ao Seu papel na história da Salvação, e o Seu lugar de Mãe de Deus. Trata-se de um culto de HIPERDULIA.

Extraído de http://www.comshalom.org/formacao/maria/maria_na_vida_do_cristao/modelo_do_fiel.html.
Com grifos nossos, com algumas alterações para fins de correção de ortografia e de adaptação do texto ao nosso contexto e com algumas supressões de texto indicadas por […].

Por que é tão importante a devoção a Santíssima Virgem Maria?

Trechos extraídos do programa “parresía” do padre Paulo Ricardo, denominado “Devoção à Santíssima Virgem Maria”,  que pode ser assistido em http://padrepauloricardo.org/audio/29-parresia-devocao-a-santissima-virgem-maria/

Por que dar tanta importância à Virgem Maria?”

Em primeiro lugar, no Proto-Evangelho, em Gn 3, 15, fala-se de uma mulher e essa mulher é a Virgem Maria. A mesma mulher, mencionada por Nosso Senhor Jesus Cristo em Jo 2,4 (nas bodas de Caná) e em Jo 19,26 (no momento da cruz). E, por fim, a mesma mulher, dita em Ap 12, 1.
Aqui, em matéria de fé, nós não temos que pensar com raciocínios humanos, dedutivos. Nada disso. Não é que a fé não suporta o método filosófico enquanto tal. Aqui temos uma grande dificuldade dentro da Igreja hoje em dia. É que as pessoas querem deduzir a fé a partir de uma lógica. Quando, na verdade, a fé não pode ser deduzida. Ela deve ser acolhida, porque é um acontecimento. Isso é muito importante nós termos isso diante dos nossos olhos. A fé aconteceu, no qual nós cremos aconteceu na história. O Papa Bento XVI, em sua Encíclica “Deus Caritas Est”, diz que o cristianismo não nasce de uma doutrina, de uma escolha moral, de princípios, de mandamentos. O cristianismo nasce de um acontecimento. Nasce, porque uma pessoa, Jesus Cristo, Deus que fez carne, veio em nossa vida. E esse acontecimento de Jesus se irrompe em nossa vida. Pois bem. O que aconteceu é que Deus se fez carne quer que nós entremos nesse Corpo de Deus que se fez carne. E esse Corpo de Deus que se fez carne chama-se Igreja. E assim como o Corpo de Jesus foi gerado pela Virgem Maria, por anologia, nós poderíamos dizer, de alguma forma, a nossa fé de cristãos e a nossa pertença a esse acontecimento eclesial acontece também através da Virgem Maria.
Não há um santo sequer, na história da Igreja, que não fosse um grande devoto da Virgem Maria”. “História da Igreja, história de santos que deixaram o Cristo ser gerado no seu coração através da intercessão materna, do cuidado amoroso da Virgem Santíssima.”
Essa é a história, essa é a realidade. Vamos sair das teorias. Não vamos deduzir o cristianismo. Não vamos inventar um caminho novo. Ele já existe. O cristianismo já existe. Deus já se fez carne. E Deus tem um Corpo na história que é a Sua Santa Igreja.”
Deus se faz carne, gerado no ventre da Virgem Maria. Por isso é que nós podemos e devemos chamar a Virgem Santíssima de Mãe da Igreja. Sim, é verdade, paradoxalmente, estranhamente, Ela é membro da Igreja, mas, ao mesmo tempo, Ela é também Mãe da Igreja. Temos que aceitar esse paradoxo.”
O cristão que pode dizer – ‘vivo mas não eu,  é Cristo que vive em mim’ -, e que precisa ser gerado e só será gerado se ele se deixar gerar no ventre da Virgem Santíssima. Aqui está a importância da devoção a Virgem Maria”.
O padre ainda fala que os protestantes sentem calafrio quando ouvem este título dado a Maria: Nossa Senhora, “porque Senhor é somente Jesus. No entanto, nas páginas do Evangelho, encontramos Nosso Senhor que obedecia a Nossa Senhora. Humildade de Deus. Grandeza de Deus que se faz tão pequenino e que se faz família em Nazaré.” “Ora, se Deus Onipotente e Glorioso, se Deus eterno fez-se pequenino e obediente a aquela Mulher de Nazaré, por que não podemos nós fazer o mesmo? Trata-se da imitação de Cristo. Trata-se de trilhar o mesmo caminho que Ele trilhou. Por isso, no início da nossa fé, no início do nosso caminho de fé, precisamos da Virgem Santíssima, que gere em nós e confirme em nós essa fé.”
Não tenhamos medo de nos atar a esta coluna firme da Devoção a Santíssima Virgem Maria. E digo mais ainda: não tenhamos medo do Rosário, do terço rezado com devoção.
Através dessa oração humilde e simples, pouco intelectual, que não é para os sábios, não é para os grandes, poderemos enfrentar as maiores dificuldades, dificuldades de assalto à Igreja.” [acréscimo pessoal: O Rosário é “torre de salvação contra os assaltos do inferno, porto seguro contra o naufrágio geral, âncora de salvação]
Está previsto: a vitória virá de Deus, através da Mulher e sua descendência (Gn 3,15).
Quem somos nós para recusarmos esse auxílio, que é graça para todos nós”: o auxílio da Virgem Maria.




Nota pessoal: “Quem rejeitar Maria hoje, rejeitar Jesus amanhã.” (palavra de sabedoria recebida em um grupo de oração)
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